terça-feira, 9 de agosto de 2016

EXORTAÇÃO PATERNAL DE DEUS.[PV-4:20-27].



Este texto, é uma exortação paternal de Deus. Ela está diretamente relacionada com o valor da palavra em relação á aquilo que tende constantemente a querer substituí-la. Diz o texto: ”Filho meu atenta as minhas palavras e meus ensinamentos”. Teve e sempre tem na comunidade, coisas que querem substituir a palavra, o ensinamento diário na condução daquele que é filho. Hoje existe, a propaganda, a política eclesiástica, a própria interpretação da igreja, como negociata. Tudo isto sempre leva a um desejo de poder desmedido e a muita manipulação. Mais o que dizer, do contexto aqui colocado?.
Primeiramente, aqui neste contexto, é uma exortação a filhos. Deus diz: ”Filho meu”. Tem muita gente no contexto da igreja, eclesiástico que não foi gerado por Deus. Não nasceu da fé na palavra, sendo gerado pelo espírito. Foi trazido para este contexto por motivações diversas. Mais Deus aqui está falando com aqueles que são crias da fé na palavra. Deus falou e ainda fala com aqueles que foram gerados por ele. Quem é filho, independente da situação em que se encontra, sabe quando Deus está falando com ele. O que é ser filho de Deus, de acordo com esse entendimento?. O modelo é o próprio nascer de Jesus. O Anjo Gabriel trazendo a palavra da parte de Deus, apresentou-se a Maria e disse:” Eis que conceberás, e dará a luz um filho, a quem chamarás pelo nome Jesus”.(Lc-1:26-38). Ao ouvir a palavra Maria Creu, descendo sobre ela o espírito santo, gerando assim o primogênito de Deus no planeta, a saber, Jesus Cristo. Assim aconteceu comigo, com você. Você creu na pregação da Palavra, o espírito veio e gerou a certeza da filiação. O Espírito revelou o mistério da reconciliação; Conforme diz Paulo, em (2Co-5:18-21), que Deus, estava em Cristo reconciliando consigo o mundo; Não imputando aos homens as suas transgressões; E nos confiou a palavra da reconciliação. Ou seja, Deus reconciliou-se com o mundo em Cristo; E é através da pregação da palavra que aqueles que estão em ignorância quanto a sua filiação, são despertados, tomam consciência de serem filhos de Deus. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; Para que nele, fossemos feitos justiça de Deus.(v-21). Ou seja, nós os despertados; Nós os que tomamos consciência da filiação, somos filhos da graça de Deus. Somos nascidos de Deus. O nascimento não partiu daquele que nasceu, mais daquele que o gerou. Em (Jo-1:13), diz que aqueles que receberam ou que recebem a Cristo, não nascem do sangue, nem da vontade da carne, ou do homem, más da vontade de Deus. Pela loucura da pregação, pela palavra, pela boa nova; Naquele que está em ignorância quanto a sua filiação, é despertado a consciência de filho. O nascimento não é algo natural, mais sobrenatural. O despertar da consciência pela palavra. O crer na palavra  abre a porta para o sopro do espírito, gerando o novo nascimento. Diz o texto: ”Más a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que creem em seu nome”.(Jo-1:12). A verdadeira filiação divina está num novo nascimento. Está em um nascer espiritual. Em um nascer do sopro do espírito santo. Esta filiação é metafísica e pessoal. Ela não vem por hereditariedade de raça, de família, ou religiosa. Ela vem pelo crer no nome de Jesus Cristo, como o verbo eterno que se fez carne. Que ele é o filho unigênito de Deus, e é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Crendo que o verbo se fez carne para que pudesse fazer o sacrifício da cruz. Para levar no seu corpo o pecado do mundo, e lavar em seu sangue o pecado de todo aquele que nele crer. Aquele que o recebe como redentor, salvador e Deus. Aqueles que não o receberam, que não o recebem como tal, continuam na ignorância quanto a sua filiação, pois a redenção foi realizada no calvário para todo sempre. Em (Ef-1:4-14), Paulo diz que os filhos foram predestinados; Claro, segundo a presciência de Deus. Por adoção viemos a ser filhos, por meio de Jesus Cristo. Nele tivemos a redenção, a remissão dos pecados pelo seu sangue. A palavra redenção originalmente foi usada para designar a soltura de um escravo, mediante o pagamento de um preço. Assim, foi pela a obra redentora de Jesus, que fomos libertos da escravidão do pecado. Fomos comprados por um preço. Jesus, pagou o preço por nossa libertação, por nossa redenção. Ele era o unigênito de Deus.(Jo-1:14). Com a sua morte passou a ser o primogênito.(Hb-1:6). Ele foi o primeiro filho de Deus. Pela sua morte e ressurreição; Por adoção, os demais foram e são gerados.
Em segundo lugar, o conteúdo da fala de Deus, à aqueles que são filhos. Que nasceram da fé na palavra. Que foram gerados pelo espírito santo.(v-20,21). A palavra deve ser valorizada em relação à aquilo que quer tomar o lugar da palavra, que quer substituir a palavra, que quer competir com a palavra no contexto da fala, da revelação de Deus. Existiu, existe e sempre existirá coisas que querem substituir a voz de Deus, na condução de seus filhos. A palha quer substituir o trigo. Em (Jm-23:28), nós encontramos este conflito da palha com o trigo. Compreendo aqui a palha como uma falsificação da palavra. A palha é a manipulação por uma suposta palavra de Deus. Por uma suposta experiência sobrenatural, tipo um sonho. Por uma suposta imagem de poder, tipo um profeta ou uma marca institucional religiosa. Neste contexto, em primeiro lugar, a palha é um espírito de prostituição religiosa.(v-14). Esta postura era causada pelo desejo que Judá tinha de agradar todos os grupos religiosos. O desejo de praticar todas as formas de adoração. Isto gerava uma infidelidade de Judá, para com Deus, como também para com a nação. Em segundo lugar, a palha é um desejo pela prática constante do sobrenatural.(v-13). Os profetas usavam os sonhos e a chamada profecia, como método de comunicação eficaz com o povo. Eu sonhei!. O Senhor está dizendo!. E em terceiro lugar, neste contexto, a palha é a mentira e o engano.(vs-25,26). A comunicação eficaz através da profecia, através dos sonhos ministrados pelos profetas, eram simplesmente engano e mentira. O povo da palha gosta de mentir e enganar. Entre estes, infelizmente estão, pastores e profetas. Em nosso contexto, a partir do entendimento de que a palha é a falsificação da palavra diretiva de Deus; É a manipulação por uma suposta palavra de Deus; Eu diria que além de ser uma infidelidade com Deus, e com o grupo, além de ser um desejo constante pelo sobrenatural, pelo místico, além de ser engano e mentira, é também a propaganda gerada por uma sociedade de mercado; Logo, por estar na prateleira a teologia de certo grupo, é a melhor, é a doutrina mais correta, é mais eficaz, é mais profunda; O nome, o rótulo, a marca de certa instituição ganha fama de ser a mais divina, a mais santa, a mais poderosa, a mais elitizada, a mais rica, a mais antiga; Cada uma propaga seu ideal. É também, política eclesiástica; E nesta muitas vezes vale tudo. Esta política vem da força da concorrência, e das alianças do contra. Internamente gera muitas vezes uma rebeldia destrutiva; O fruto é sempre invejas, calúnias, injúrias, partidos, má conversações etc. Externamente, como fruto da concorrência institucional e da rivalidade entre pastores e obreiros, gera muita concorrência de mercado, além de um marketing muito forte contra organizações e contra pastores. É também uma nova visão da Igreja, como negociata. Tem muita gente vendo na igreja, uma oportunidade de dinheiro fácil. Tem muita gente, que não ver na igreja uma missão, mais uma fraude erguida pelos espertalhões, com finalidades financeira, política. Mais a palavra deve ser valorizada em relação a palha. À aquilo que quer substituir a palavra que quer competir com a palavra. A palavra diretiva de Deus, é mais importante que a novidade, que a fantasia produzida pela propaganda, do que o engano produzido pela política eclesiástica. A fala de Deus, vem à aqueles que são filhos, os exortando, os motivando a valorizar a palavra. No (v-20), diz que precisamos atentar, inclinar os ouvidos para a palavra. Em meio a este papoco da fé, é preciso atentar para a palavra; É preciso inclinar os ouvidos a voz de Deus. Não podemos nos deixar seduzir pela palha. Não podemos nos deixar levar pelos comichões. É preciso deixar de selecionar os discursos de conveniência e se submeter à aquilo que Deus realmente está falando ao contexto que estamos inseridos. No (v-21), o pai diz ao filho: ”Guarda meus ensinamentos no coração”. Para lidar com o frenesi, com o modismo da fé na comunidade, basta inteligência; Usar a lógica. Se você tiver (QI); Não precisa ser muito elevado; Você não será manipulado. Mais aqui no (v-21), para lidar com a palavra diretiva de Deus, é preciso inteligência emocional. A palavra nós guardamos no coração. Em meio a sedução, fruto da concorrência, da propaganda, a palavra diretiva não pode ser meramente uma mercadoria; Mesmo ela sendo teologia. Toda palavra é teologia, mais nem toda teologia é a palavra. A inteligência emocional me fará ver não só o sentido temporal das coisas, mais o significado. Ela me permitirá em meio todo contexto permeado de coisas substitutas da palavra, valorizar a palavra diretiva de Deus, guardando-a no coração; Vendo nela não somente sentido mais significado.
Em terceiro lugar, o poder da palavra no coração.(v-22). Quando inteligentemente lidamos com aquilo que quer substituir a palavra, e a guardamos no coração, nos tornamos poderosos espiritualmente. A palavra nos traz a vida. O crê na palavra produz o novo nascimento. Em (Rm-10:8-10), diz que é com o coração que se crê na palavra. A palavra vivifica. No (Sl-119:50), diz o salmista: ”O que me consola na minha angustia, é que a tua palavra me vivifica”. A palavra alimenta. Em (Mt-4:4), Jesus diz que não só de pão vive o homem, mais de toda palavra que sai da boca de Deus. São muitas as bases bíblicas para esta verdade. Quando crida com o coração, a palavra nos torna espiritualmente poderosos. Tem muita gente que está morrendo espiritualmente, porque começou a desprezar a palavra e começou a comer a palha; Esta que compete com a palavra, que quer substituí-la.  Quando guardamos a palavra no coração, ela não somente nos traz vida, mais também saúde. Em obediência podemos adoecer sim, ser provado; Mais a rebeldia a palavra, pode nos trazer muitas doenças; Doenças na alma e doenças físicas. Algumas doenças são simplesmente fruto de uma desarmonia com a vontade de Deus. Em (Pv-8:36), diz que aquele que está em desarmonia com Deus, violenta a própria alma. O exterior das pessoas esconde muitas vezes o seu real estado, psicológico, emocional. Algumas doenças físicas, podem também ser fruto de uma obstinação em está em desobediência; Ou seja fruto de uma rebeldia que não quer cura. Em (Nm-12:10), vemos esta obstinação em Miriã; A resistência em não querer entender a forma de Deus, se relacionar com o indivíduo. No caso com Moisés; Sendo ela assim disciplinada. Miriã ficou leprosa.
Em quarto lugar, os cuidados que um filho de Deus, tem que ter, num contexto, onde muitas coisas querem substituir a palavra. Primeiro, tenha cuidado com seu coração.(v-23). Neste específico contexto, o jogo  político é de sedução. Num contexto, onde a palha está predominando, é muita técnica de manipulação, de ilusão. Cria-se ídolos, fetiches; Claro com finalidade transitória; É sempre uma simulação de certa imagem já consolidada, ou em ascensão. Mais dependendo do contexto, a técnica de sedução pode ser muito mais baixa ainda. Eu diria que muitas comunidades hoje já estão viciadas num certo pirotecnismo exercido por algumas imagens em ascensão. Cuidado com aqueles que querem lhe seduzir neste contexto, com o que é diferente da palavra. Segundo, tenha cuidado com a língua.(v-24). Quando somos cooptados por estas imagens manipuladoras, tendemos também a assumir suas técnicas, seus enganos, suas falácias; E é ai que muitas vezes perdemos o controle de nossa língua. Não somente com a concorrência mais até com os amigos e os mais íntimos; Passamos a usar nossa boca falsamente. Cuidado com a falsidade da boca, cuidado com perversidade dos teus lábios. Neste contexto, tem muita gente dizendo: ”Com a nossa língua, nós prevaleceremos”(Sl-12:4). Cuidado filho!. Com a sua língua, com a do outro. Terceiro, tenha cuidado com os teus olhos.(v-25). Neste contexto também é preciso ter cuidado com a visão; De como nós enxergamos este ambiente, o próximo inserido nele. É preciso olhar direito. Geralmente neste ambiente de manipulação, de ilusão, onde está presente a sedução, línguas venenosas, a visão é de coisificação. O outro é sempre visto como uma coisa. É preciso olhar direito para o ambiente, discernir bem e mal; Olhar direito para o próximo; Como se fosse para si mesmo. Em (Mat-6:22-23), diz que os olhos são a lâmpada do corpo; Se os nossos olhos forem bons, nossa visão será iluminada; Porém se forem maus, nossa visão será escura. Cuidado!. Quarto, neste contexto, o caminho será sempre uma escolha do bem diante de um mal sedutor.(v-26,27). Neste contexto, é preciso examinar atentamente todas as coisas. O Caminho deve ser ponderado; É preciso ter cuidado para não desviar o foco; É preciso atentar para o que é o escopo da missão. É preciso pisar devagar, de tal maneira que possamos evitar sermos engodados pelo mal, em busca de uma retidão, em busca do bem. Cuidado!.
Então, Deus o nosso pai, neste contexto, continua a nos orientar, a nos exortar como filhos amados, a fim de continuarmos a missão. Não podemos permitir que a palha venha substituir o trigo; Ou que um sentido existencial, predomine sobre aquilo que trás o real significado para vida; No caso, a palavra diretiva de Deus. Precisamos guardar a palavra no coração, para sermos  poderosos espiritualmente.

                                                                   Roberto Mota.

Fonte: Mensagem pregada na Igreja Batista Reviver.

 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SABEDORIA, A INTELIGÊNCIA DO BEM.[Pv-9:1-11].



       Este texto trata do valor da sabedoria para uma vida bem sucedida. Uma vida sem sabedoria, é uma vida sem entendimento, é uma vida de insensatez, é uma vida de ignorância. Mais o que é sabedoria?. Primeiramente ela está na simplicidade. Ela convida a simplicidade. Diz o texto: ”Quem é simples volte-se para aqui”.(v-4). Aquele que idealiza a sofisticação, dificilmente se tornará sábio; A própria sofisticação está na simplicidade de ver, de ser e de existir. Dizia Leonardo da vince:”A simplicidade é o último degrau da sofisticação”. Logo, naturalidade e simplicidade tem aquele que é sábio. Segundo, sabedoria não é conhecimento. Não é o armazenamento de saberes, de experiências. Vivemos na era do conhecimento; Há uma revolução conceitual. É de suma importância hoje o aprendizado, ser atualizado. O conhecimento no mundo atual, é o mais importante fator de produção de riqueza, mais não é sabedoria. Terceiro, sabedoria não é inteligência. Com a revolução conceitual, o que mais importa hoje, é colocar este conhecimento em prática, e isto só será possível com a prática da inteligência. O que eu quero dizer com isto?. Que inteligência não é conhecimento, é habilidade. O conhecimento sem a inteligência hoje, é inútil. Mais inteligência não é sabedoria. Então, o que é? É a inteligência do bem. A inteligência pode usar o conhecimento para o mal, ou para o bem. O sábio é aquele que usa seu conhecimento para a prática do bem, ou apenas para o bem.
       A partir deste texto, o que dizer da sabedoria?. Primeiramente que a sabedoria edifica. Nos (vs-1,2,3), deste texto diz que a sabedoria é quem edifica desde a casa até a Cidade. O que é edificar?. É levantar, é erguer,  é a construção de alguma coisa desde o alicerce, a partir de um plano estabelecido. Logo, o sábio é aquele que edifica sua casa, é aquele que edifica a igreja, é aquele que edifica a comunidade, é aquele que edifica a cidade. Segundo, quem tem sabedoria, torna-se agente do bem.(v-5). Diz aqui o texto: ”vinde, comei do meu pão e bebei do vinho que misturei”. A sabedoria não só convida a simplicidade, e a simplicidade, mais ela convida para o bem. Para festejar, para um banquete regado a pão, carne e vinho. A sabedoria convida o simples ao bem. Aquele que no decorrer da vida se torna um sábio, também se tornará um agente do bem. Alguém preocupado com os problemas ao seu redor, do seu contexto, do mundo. Terceiro, o fundamento da sabedoria é o temor do Senhor.(v-10). Num mundo, onde a lei do mais forte prevalece, só faz o bem quem teme a Deus. Que sabe que existe um ser superior. Quarto e último lugar, o sábio, aquele que alcança a sabedoria em sua existência, tem, terá vida longa e abundante.(v-11). A sabedoria pode me levar a construir grandes coisas, a alcançar grandes objetivos, a alcançar riquezas; Mais acima de tudo me leva a ter uma vida longa e com qualidade, e certamente na presença do eterno, do Deus que dar a sabedoria.[2 Cr-1:7-12].
       No mundo atual, o conhecimento, a inteligência tem se multiplicado; Mais são os conflitos que estão se multiplicando. Por que?. Porque o homem usa a inteligência para o mal. A insensatez, a ignorância tem sido a escolha da maioria, em vários contextos. Que Deus erga pessoas dotadas de conhecimento e inteligência, mais também tementes a ele, a fim de que sejam sábios, e assim possam ser os edificadores da terra.

                                                                             Roberto Mota
      
      

sábado, 11 de julho de 2015

" A VISÃO ARISTOCRÁTICA DE MUNDO".



A ideia da igualdade de direitos emergiu na modernidade como o núcleo da vida democrática. Foi a partir dessa ideia que se criou o espaço das lutas políticas em função de sua efetivação na configuração das sociedades. Desde a redemocratização após a dissolução da ditadura militar nós brasileiros temos passado por essa experiência e tomamos consciência de que há obstáculos enormes em diversos níveis de nossa vida para o estabelecimento entre nós de uma sociedade que mereça o nome de democrática. Um desses obstáculos se vincula à nossa cultura política e se pode chamar de "visão aristocrática da vida”, algo radicalmente contraposto a uma concepção democrática e ainda fortemente presente em nossa maneira de ver o social, embora no mais das vezes de forma implícita.
Uma primeira característica dessa forma de pensar é o que os sociólogos denominam a "naturalização da vida social”. Trata-se da legitimação da ordem social faticamente existente através de sua identificação com uma ordem que provém da própria constituição do ser humano. Nessa ordem não se deve tocar porque o lugar que cada indivíduo ocupa no todo social lhe é determinado pela ordem natural das coisas que lhe é transmitida em seu nascimento. Cada um deve querer ser aquilo que ele é por natureza, deve seguir o caminho que lhe foi traçado desde o nascimento em razão de sua natureza. Assim, o rico deseja ser rico, o pobre deve desejar ser pobre, o negro e a mulher não têm porque querer mudar seu lugar no mundo. Somente a ilusão, a fraqueza da vontade ou a manipulação da consciência explicam o aparecimento de posturas que não se adéquam a essa situação natural. Isso significa identificar o faticamente existente com o normativo e em alguns casos essa identificação ainda aparece justificada por referência a ideias religiosas, ou seja, é na própria esfera divina que a lei ou o conjunto das normas encontram sua origem e sua legitimação.
Na visão aristocrática da vida a experiência do outro é uma experiência de níveis distintos de humanidades: cada um se encontra num nível determinado na hierarquia dos humanos, Dessa forma, há uma experiência das diferenças entre os seres humanos que resiste às semelhanças biológicas e às características comuns do ser pessoal. A humanidade é vista como uma humanidade naturalmente diferenciada e cada um se deve contentar com "seu lugar”. Numa palavra, para essa concepção há graus de humanidade (embora normalmente ninguém tenha coragem de assumir abertamente semelhante afirmação) e nós certamente tomaríamos um grande susto se examinássemos com honestidade e rigor nossas palavras e nossos comportamentos porque iríamos descobrir que falamos e nos comportamos muitas vezes de acordo com esta concepção do mundo e por isso na realidade nos contrapomos à tese da igualdade de direitos.
A visão democrática emerge de uma experiência radicalmente oposta: pode-se dizer que aqui a experiência básica é a de que o outro é meu semelhante de onde decorre a tese da igualdade básica de todos os seres humanos e a exigência de configurar a vida de tal modo que esta igualdade básica se efetive em relações simétricas em todas as esferas da existência resistindo a todo tipo de ordenação que procure impedir ou limitar sua efetivação. Na raiz da democracia está a primazia da igualdade o que implica um combate contra os privilégios que devem neste contexto devem ser considerados como elemento inaceitável e a luta pela igualdade de direitos. Quando se assume esta postura, a visão aristocrática perde seu caráter natural e se revela como fruto de pura convenção que se funda em interesses de determinados grupos sociais. Essa descoberta do caráter construído da ordem social, econômica e política traz, como diz o presidente do Observatório de Desigualdades de Paris, P. Savidan, grandes consequências não só para a configuração da vida coletiva, mas também para a experiência que o ser humano faz de sua própria humanidade.
                                
                                                        Manfredo Araújo de Oliveira

Descrição: http://site.adital.com.br/site/images/ico_fonte_diminuir.gif 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"ANDANÇA COM JESUS".[Mc-4:35-41].

INTRODUÇÃO: Este texto, narrando alguns eventos da caminhada de Jesus, com os discípulos; Nos esclarece que andar com Jesus, não é “RELIGIÃO”, mais é uma caminhada que exige de cada um que toma esta decisão, uma postura sempre gerada por fé.

1-A ANDANÇA COM JESUS, É MOVIMENTO.(V-35).
   Sendo já tarde, disse Jesus: ”Passemos para o outro lado”.
1-1-Movimento geográfico.
  • Movimentar-se de um lugar para o outro, em busca de novas atividades, novos contatos.
1-2-Movimento que não se prende aos holofotes, muitas vezes.(v-36).
  • Jesus, deixa uma multidão que o seguia e vai a outro lugar.
1-3-Movimento que nos faz ter a visão de outros lugares, outras pessoas.
  • Uma visão centrada em Jesus, não nos permite ficar parados, mais sempre em movimento.
2-A ANDANÇA COM JESUS, É O ENFRENTAMENTO DO INESPERADO.(V-37).
   Jesus, estava no barco com os discípulos, mais isto não impediu a vinda de uma tempestade, não esperada.
2-1-Andar com Jesus, não nos isenta daquilo que não esperamos.
  • Tempestade, deserto, tentação, crise.
  • Diante da tempestade inesperada, os discípulos disseram:”Vamos afundar”.
3-A ANDANÇA COM JESUS, NÃO SIGNIFICA SER ATENDIDO DE IMEDIATO.(V-38).
    Durante a tempestade Jesus, simplesmente dormi, sobre uma almofada.
  • Clame a Jesus, e ele te responderá; Porém ele tem o seu tempo, e sua hora de agir.
  • Durante a tempestade ele não agiu de imediato, mais ele estava no barco, e sua presença é mais importante do que sua ação, seu poder.
  • Quando Jesus, não responde de imediato, é preciso continuar fazendo humanamente, o que podemos fazer.
  • Muitos ficam paralisados diante do inesperado, quando muitas vezes, é preciso continuar segurando os remos, ajustar as velas, diante da tempestade.
4-A ANDANÇA COM JESUS, EXIGE DE CADA DISCÍPULO, FÉ.(V-40).
    Jesus, levanta-se, acalma a tempestade, e pergunta:”Ainda não tendes fé?”.
4-1-Fé, simplesmente muitas vezes, apenas para continuar caminhando.
4-2-Fé, para esperar o tempo de Jesus, responder.
4-3-Fé, para experimentar e ver as grandes coisas que Jesus, quer fazer.
5-NA ANDANÇA COM JESUS, PROCESSUALMENTE, É QUE VAMOS CONHECÉ-LO, NA SUA GRANDEZA E PODER.(V-41).
   Diziam os discípulos:”Mais quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?”.
  • É com a experiência da caminhada com Jesus, que teremos nossa fé aumentada; Pelo conhecimento dele e do seu poder.
6-NA ANDANÇA COM JESUS, PODEMOS OUVIR:
6-1-Ainda não tendes fé?
6-2-Por que sois tão tímidos?
6-3-Homens de pouca fé.
6-4-Grande é a vossa fé.

CONCLUSÃO: Andar com Jesus, é decisão; Exige daquele que se dispõe caminhar com ele fé; Esta por sua vez, impulsionará o discípulo, a se movimentar, a enfrentar o inesperado, a esperar a resposta ao seu clamor. Tudo isto redundará, num processo de conhecimento dele; Processo este, libertador.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

"A VONTADE DE JUSTIÇA DE DEUS".



          Acredito que, de alguma maneira, Deus, nesses dias nos fala sobre a sua vontade de justiça. O Brasil, é um País de muitas desigualdades; A vontade de Deus, é a "justiça". Mais uma tendência natural é nos deixarmos arrastar por ideologias injustas. Deus, quer nos guiar pelas veredas da justiça. No (Sl-23:3), Davi nos afirma que Deus, em sua vontade deseja que andemos pelo caminho da justiça. A vontade de justiça de Deus, pode ser realizada através daqueles que se deixam guiar por ele. Em (Mt-5:10), Jesus coloca a vontade de justiça, como um sinal do Reino de Deus:"Bem aventurados serão aqueles que são perseguidos por causa da  justiça"

          O Brasil, é um País de grandes desigualdades; Desigualdade econômica, ou seja, na distribuição de renda; Conforme Marcio Pochmann (2006), há uma ditadura da concentração de renda. Os 10% mais ricos do Brasil, concentram 75% de toda riqueza; E os 90% mais pobres ficam com 25%. Desigualdade racial e de gênero, entre o negro, o branco, o pardo, homens e mulheres; A desigualdade racial, influencia diretamente no mercado de trabalho. O recebimento de recompensas, segundo alguns especialistas, não se baseiam em performances ou aquisição de capacidades, más nas ideias produzidas entre grupos sociais, com relação a diferença entre negro e branco, entre o homem e a mulher. E a desigualdade Regional, entre regiões, cidades e Estados; esta está nas diferenças estruturais entre sudeste, parte do centro-oeste, o sul do País, com maior desenvolvimento industrial, técnico e científico; Tendo em são Paulo, o polo mais alto em desenvolvimento; Enquanto que na região Nordeste, o desenvolvimento ainda é pontual. E ainda, o regional, é determinante ainda, para o acesso a oportunidades. Neste sentido, seguindo a lógica, de que há ideias que ideologizam o preto, o pardo, a mulher, percebemos que a população está distribuída regionalmente segundo a cor. A população branca, está concentrada nas regiões mais desenvolvidas; Enquanto, que os grupos pretos e pardos, se concentram na região Nordeste.

          A justiça Social no Antigo Testamento, é evidente; É algo cobrado por Deus; Principalmente á aqueles que dizem conhecê-lo. Podemos perceber o valor da justiça Social, no Antigo Testamento, tomando como referência o ministério do profeta Amós. Por que dentre tantos exemplos, o ministério do profeta Amós?. Por que não pegar alguém que saia de dentro de um contexto mais urbano; Que no caso, se adequa mais a realidade contemporânea?. Porque o profeta Amós, é talvez o modelo de profeta, mais adequado para falar a atual realidade; Cercada de interesses e mascarada pelas ideologias dominantes; Esta sim é a realidade contemporânea. O fato não era que ele não tinha "nada" a perder; Mais era que ele não tinha "muito" a perder. O modelo de profeta, em Amós, tem menos chance de se comprometer com a ideologia do poder. Em (Am-7:10-17), percebemos a aliança de Amazias, Sacerdote de Betel, com a ideologia da corte, da aristocracia. A teologia, já no antigo testamento legitima a injustiça Social; Ou seja, ela se associa a ideologia dominante. É verdade, que temos referência profética, como Isaías, que diferentemente de Amós, que era um camponês, era culto e ligado a nobreza, a corte, a aristocracia; Mais que não se partidarizava em favor da corte, mais a favor da justiça. Em (Is-1:10-20), Isaías, inspirado por um espírito de justiça, defende os órfãos, as viúvas, os oprimidos; Bem como denuncia os exploradores da corte, assim como também a máscara do clero. E é verdade que temos ainda hoje este tipo de caráter profético, mais são exceções raras; Geralmente é preciso não ter muito a "perder", para se comprometer com a verdade profética. Amós, hoje, pode ser o modelo de profeta eficaz, contra a injustiça. A partir do texto, (Am-7:10-17), ele representa alguém que está culturalmente a margem do sistema da corte. Há aqui, um preconceito a origem humilde do profeta. Ele representa o excluído, o marginalizado. No sistema de então, ali do contexto de Amazias, não pode um profeta com tal origem; Sociologicamente, sua permissão para a profecia, é apenas um discurso de inclusão. Dai Amazias, o sacerdote de Betel,  desclassificá-lo, desqualificá-lo, o chamando de conspirador contra a corte; Mandando-o assim profetizar lá em Judá; Claro como fugitivo, a margem; No seu devido lugar, no entendimento da mente ideologizada de Amazias. Mais nos (vs-14,15), Amós, se declara emancipado das tradições institucionais proféticas, dizendo ser ele, não profeta, não filho de profeta, mais um boieiro e agricultor, chamado por Deus, para profetizar a Israel. Existe três formas de exercer o ministério profético no antigo testamento:"Sendo aluno em uma escola-(2Rs-4:38); Sendo filho de um profeta-(Am-7:14), e sendo chamado por Deus-(Jm-1:5). Amós, foi chamado por Deus; O Senhor o tirou do ofício de boieiro, e o mandou profetizar para Israel. Nos (vs-16,17), observamos, que sua emancipação, das formalidades proféticas institucionais, o possibilitou a profetizar com liberdade aquilo que Deus, lhe mandava; Livre de condicionamentos da corte, ou do clero. É interessante, como Deus, escolhe muitas vezes, para a realização de uma determinada missão; Talvez um camponês para uma mensagem, contra a imoralidade, socialmente se justificasse; Mais para uma mensagem voltada para a injustiça Social, e diretamente para as classes dominantes; Ai já não tem. Claro, para mentes ideologizadas, como a de Amazias. Deus, escolhe alguém estratégico, para levar a sua palavra, num contexto, marcado pela injustiça Social; De acúmulo(Am-3:10), de suborno da administração da justiça(Am-5:12), De controle do comércio(Am-8:4-6), Religião institucionalizada para mascarar a injustiça(Am-7:12,13), de conluio entre os que detém o poder econômico, político e jurídico; Logo, a opressão do pobre e dos mais fracos. Amós, destemidamente anuncia o fim de Israel, por seus ricos oprimirem os pobres, e os poderosos manobrarem a justiça e o direito; Assim como também, anuncia o desmantelo e a vergonha da religião legitimadora da injustiça Social(Am-7:17). Amós, em sua crítica social, denuncia, os corrúptos, mais foca mais no sistema, na estrutura que gera pessoas corrúptas. Ele entende que a causa fundamental, da corrupção tem haver com estruturas politico-culturais e religiosa, motivada por interesses econômicos. Contra esta corrente Amós, se posiciona dizendo: "Odeiem o mal, e amem o bem".(Am-5:15). 

       No Novo Testamento, principalmente através do ministério de Jesus, percebemos o valor da justiça Social. O ministério de Jesus, se dar num contexto, marcado pela injustiça Social. Numa cultura greco-romana, e sob o império Romano, Jesus, levava as boas novas. Os poderosos cobravam pesados impostos do povo, que na maioria era de camponeses; Para a ostentação do império. Por causa disto a vida do povo era precária e dura. A religião era conveniente, e também tinha suas taxas. O povo refletia e muito o modelo cultural do império, em seu comportamento; Este era pouco solidário e aceitava a injustiça. Jesus, em seu ministério, contraria tudo isto, com seu ensino sobre solidariedade e justiça social. Ele foi crítico para com a riqueza não compartilhada, mais fruto da avareza(Lc-12:13-21). Ele ver numa riqueza não compartilhada, loucura e não sabedoria. É no ser rico para com Deus, que está a sabedoria dizia ele. Ele se apresenta no novo testamento, como aquele que veio para anunciar as boas novas, aos pobres, aos oprimidos, aos marginalizados(Lc-4:16-19). Na visão de Jesus, aqueles que querem trilhar o caminho do Reino, devem ser capazes de ter uma autocompreensão do que seja ser justo(Lc-12:57). Para Jesus, um bom julgamento da vida, das coisas do reino requer uma visão espiritual. Os fariseus, por causa de suas mentes e corações endurecidos pelo pecado; Interesse próprio, justiça própria, não conseguiam entender do que Jesus, estava falando. Bastava que eles realmente fossem justos acerca dos sinais que Jesus, fazia, para entender o tempo do reino de Deus; Mais eles eram carnais, interesseiros, indiferentes ao tempo de oportunidades, em que viviam, para se arrependerem e reconciliar-se com Deus. Sim na visão de Jesus, a vida comunitária, a vida Social, para que nela haja solidariedade, justiça social, é preciso que cada um que faz esta comunidade saiba julgar(Jo-7:24). É comum nós julgarmos os outros, segundo os nossos interesses, segundo a aparência; É comum a injustiça Social como vício. Jesus, sentiu isto na pele; Foi caluniado, desclassificado, desqualificado. Por que?. Por falta de consciência daqueles que o julgaram mal. Faltou consciência e autoconsciência. Faltou objetividade. Faltou a reta justiça. É difícil não ter alguém que não seja culpado de ter cometido injustiça, por errar no seu julgamento para com o outro; São muitos os injustiçados por julgamentos errados. Como discípulos de Jesus, precisamos ter habilidade para julgarmos o outro, sob pena de cometer uma injustiça. Em (Jo-7:20), percebemos que Jesus, foi demonizado, pela coletividade; Ou seja, uma multidão emitiu a idéia de que Jesus, estaria endemoniado; O que é um equívoco coletivo. Mais o que está por trás, de tamanho equívoco?. Seria uma multidão consciente, ou influenciada para pensar assim?. Ideias acerca dos outros podem ser mera fabricação.

          Analisando uma possível vontade de justiça Social, no atual contexto, a complexidade do ser justo, do fazer justiça, no antigo e novo testamento, a fala de Jesus, sobre as implicações para quem deseja ser justo, não pude fugir do idealismo de Hegel. Por que?. Porque até, quem desdenha deste, é mais idealista, do que o confesso. É razão, a partir de uma centralidade da subjetividade. Ou centralidade do eu. A relação com o outro, é sempre relação sujeito-objeto. É sempre relação que objetiva condicionar o outro. Nas relações, inclusive na coletiva, social; Hoje mais do que nunca, a centralidade da subjetividade, do eu; Depois de muito tempo desta fala de Hegel, esta subjetividade do sujeito, na apreensão do objeto; Seja saber, seja instituição, seja o social, seja o homem; É mais forte do que nunca. A consciência que se pode ter do outro como objeto, é a consciência do que ele “representa”, para o sujeito da relação. É uma apreensão subjetiva; O sujeito imprime a sua subjetividade, no outro, que está sob sua consciência. Em Hegel, para uma objetividade do conhecimento, é preciso consciência da consciência; Ou seja, não está na apreensão do objeto em si; Da forma como ele é, como ele aparece; Mais através de uma autoconsciência. Ou seja, é preciso ter consciência de si. É preciso saber o que leva apreender o objeto, de tal forma, ou de tal maneira. Nesta concepção, o coletivo é o encontro dos sujeitos, com percepções diferente, que lutam por reconhecimento; Gerando assim um problema, que  só pode ser solucionado assumindo um ponto de vista objetivo; Julgando imparcialmente seu próprio ponto de vista; Autoconsciência.  Em Sartre, a relação sujeito-objeto, é necessária, quando nesta relação; Sujeito e objeto, se revezam; Se reconhecem como sujeitos; Outrora como objetos. Mais a relação é dominadora quando alguém se fixa como sujeito; E claro para isto, se abre  mão da solidariedade e da justiça, para lançar mão de ardis perversos. Tanto na perspectiva de Hegel, quanto na de Sartre, a relação com o outro objetiva de certa forma parasitar o outro; E a técnica é uma linguagem que cria dependência, que explora naturalmente o outro. Logo, como nossa teologia pode ser libertadora, num contexto, onde o sujeito da relação; seja o homem, seja a Igreja, seja a Instituição tal, imprime no então objeto, o seu eu, sua subjetividade, sua vontade?. Eu diria em primeiro lugar, que uma teologia libertadora, é contextual, é local. Ela nasce a partir de necessidades do contexto; Mais atualmente, geralmente, esta é incorporada ao contexto, por sua fama; Ou seja, aquela que deu certo em algum outro contexto, talvez até como palavra de Deus, para tal realidade; Dai reconhecimento e fama; Esta passa a ser buscada por vários outros contextos; que passa a ser um tipo de teologia-ideologia. Uma destas teologias, que ainda está na vitrine hoje, é a chamada teologia da prosperidade. Uma teologia assumida apenas por sua funcionalidade em outro contexto; Ou seja, por sua fama, pode até funcionar, atrair as multidões, mais dificilmente esta estará comprometida com a solidariedade e a justiça, tendo em vista, que o senso de justiça exige diante de tal subjetividade, consciência e autoconsciência. Sem autoconsciência dificilmente se enxergará os objetivos de tal teologia; Sua manipulação, sua dominação e consequentemente opressão; Mais apenas sua funcionalidade, seu pragmatismo; Entenda, eu estou falando que, em meio a tudo isto, há uma vontade de justiça, por parte de Deus. Em segundo lugar, uma teologia libertadora, deve ter o Cristo como central. Não quero aqui negar o valor do pragmatismo teológico, fruto primeiramente, de um certo desuso da razão dedutiva. Aquela razão fundamentada apenas no discurso, teorética; Mãe do conservadorismo e de muitos dogmas. Fruto também da demanda da Cidade grande, da megalópole. Mais o pragmatismo muito tem contribuído para uma teologia sem a centralidade do Cristo. Sim, este que propiciou a Igreja, do Deus vivo. A Igreja viva, corpo, onde Cristo é o próprio cabeça. O resultado de uma teologia sem a centralidade de Jesus, é uma Igreja, sem solidariedade, fria no amor ao próximo. O resultado é uma Igreja, profissionalizada para fazer, mais não para servir com responsabilidade. A falta de centralidade de Jesus, na  teologia, faz com que a causa do evangelho, não seja vista como missão, mais em muitos casos, como uma estratégia humana, em benefício próprio. O pragmatismo valoriza acima de tudo aquilo que funciona, que trás resultados. Ele em muitos casos, não leva em conta o que é certo, o que é princípio. Dai muitas vezes passar por cima de princípios fundamentais. A centralidade de Jesus, na teologia, trará o amor para o centro, o serviço como responsabilidade, para o centro.

          Então, a vontade de justiça de Deus, é um sinal do Reino de Deus; A vontade de Deus, é que andemos pelas veredas da justiça; Mais andar por este caminho implica muitas vezes andar longe dos holofotes; Implica ser perseguido. No atual contexto sociopolítico, é preciso se posicionar. Em um contexto parecido com o nosso, Isaias se posicionou a favor da justiça, Amós se posicionou a favor da justiça.

                                                                               Roberto Mota.